Análise estrutural

Diagramas de momento fletor e cortante (DEC e DMF): passo a passo

Equipe Niviella · · 8 min de leitura

Os diagramas de esforço cortante (DEC) e de momento fletor (DMF) são a 'radiografia' da viga: mostram, ponto a ponto, onde os esforços são maiores e onde a estrutura vai precisar de mais armadura ou de um perfil mais forte. Montá-los com segurança é meio caminho andado para o dimensionamento. Veja a convenção de sinais, as relações que conectam carga, cortante e momento, e um exemplo resolvido com o diagrama pronto.

Convenção de sinais

Antes de tudo, fixe uma convenção e mantenha-a do começo ao fim — trocar de sinal no meio é o erro número um.

  • Esforço cortante positivo: quando as forças à esquerda da seção apontam para cima (tende a girar o trecho no sentido horário).
  • Momento fletor positivo: quando traciona a fibra inferior (a viga 'sorri'). É a convenção usual no Brasil.

As relações fundamentais

Carga, cortante e momento estão ligados por derivadas. Essas duas relações resolvem quase todo diagrama:

Consequências práticas: onde a carga distribuída é constante, o cortante é uma reta e o momento é uma parábola; e onde o cortante cruza o zero, o momento é máximo ou mínimo. Esse último ponto é o que você procura para dimensionar.

💡Atalho: A área do diagrama de cortante entre dois pontos é igual à variação do momento entre eles. É o jeito mais rápido de montar o DMF a partir do DEC.

Roteiro para montar os diagramas

  1. 1Calcule as reações de apoio com as equações de equilíbrio.
  2. 2Percorra a viga da esquerda para a direita, somando as forças verticais — isso dá o DEC.
  3. 3Integre o cortante (ou use as áreas do DEC) para obter o DMF.
  4. 4Marque os pontos notáveis: apoios, cargas concentradas, mudanças de carregamento e a seção onde V = 0.
  5. 5Confira os extremos: nos apoios de extremidade simples, o momento é zero; sob rótulas, também.

Exemplo: viga biapoiada com carga distribuída

Para a viga biapoiada com carga uniformemente distribuída q, o DEC é uma reta de +qL/2 a −qL/2 (cruzando o zero no meio) e o DMF é uma parábola com máximo no centro:

DEC+qL/2−qL/2DMFM_máx = qL²/8
DEC linear (de +qL/2 a −qL/2) e DMF parabólico (máximo qL²/8 no centro) — o caso mais cobrado em prova.

Erros comuns

  • Trocar o sinal do cortante ou do momento no meio do traçado.
  • Procurar o momento máximo sempre no meio do vão — ele fica onde V = 0, que muda com cargas assimétricas.
  • Esquecer que cargas concentradas causam um 'salto' no DEC e um vértice (mudança de inclinação) no DMF.
  • Não fechar o diagrama: ao chegar no apoio final, o cortante deve 'zerar' com a reação.

Confira na Niviella

Depois de traçar à mão, vale conferir o desenho — principalmente os sinais e a posição do máximo. A Niviella gera o DEC e o DMF automaticamente a partir do seu modelo (ou da foto do enunciado), com os valores e os pontos notáveis marcados, e ainda entrega o memorial. É o jeito mais rápido de saber se o seu diagrama está certo.

Perguntas frequentes

Qual a relação entre cortante e momento fletor?

O cortante é a derivada do momento (dM/dx = V). Por isso, onde o cortante cruza o zero, o momento fletor atinge um máximo ou mínimo.

Onde o momento fletor é máximo?

Na seção em que o esforço cortante vale zero. Em viga biapoiada com carga simétrica, isso ocorre no meio do vão; com cargas assimétricas, fica deslocado.

O que é DEC e DMF?

DEC é o Diagrama de Esforço Cortante e DMF é o Diagrama de Momento Fletor. Juntos, mostram como esses esforços variam ao longo da viga e onde estão os valores críticos para o dimensionamento.

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