Dimensionamento de pilar de concreto armado (NBR 6118)
Equipe Niviella · · 9 min de leitura
Dimensionar um pilar vai muito além de 'aguentar a carga'. Por ser um elemento comprimido, ele pode romper por instabilidade (flambagem) antes de esmagar o concreto — por isso a NBR 6118 exige classificar a esbeltez, somar as excentricidades de 1ª e 2ª ordem e respeitar limites de armadura. Este guia mostra o roteiro completo, com as fórmulas da norma e um exemplo resolvido de pilar 20×40.
1. Geometria e esforços de partida
Comece com a seção do pilar (b × h), o comprimento equivalente ℓₑ (que depende das vinculações) e os esforços de cálculo: a força normal N_d e os momentos de extremidade M_d. Tudo no SI (kN, m, MPa).
⚠️Cuidado: A força normal de cálculo é N_d = γ_f · N_k, com γ_f = 1,4 para a combinação normal. Não esqueça de majorar as ações antes de dimensionar.
2. Índice de esbeltez
A esbeltez mede a tendência do pilar à flambagem. Calcule o raio de giração i e o índice λ em cada direção:
Compare λ com o valor-limite λ₁ da norma. Se λ ≤ λ₁, os efeitos de 2ª ordem podem ser dispensados; se λ > λ₁, eles são obrigatórios (método do pilar-padrão, por exemplo). Acima de λ = 90 entram também os efeitos da fluência.
3. Excentricidades
O momento total vem da soma de três parcelas de excentricidade, aplicadas sobre N_d:
- • Inicial (e₁): dos momentos de extremidade — e₁ = M_d/N_d.
- • Acidental: imperfeições geométricas do eixo do pilar.
- • De 2ª ordem (e₂): o deslocamento que amplifica o momento em pilares esbeltos.
A norma ainda impõe um momento mínimo, que muitas vezes governa pilares pouco carregados:
4. Armadura longitudinal
Com N_d e o momento total, dimensiona-se a armadura pela flexo-compressão (ábacos ou software). A NBR 6118 fixa os limites:
O máximo de 8% vale inclusive na região de emendas. Detalhe os estribos com espaçamento ≤ 20 cm (e ≤ menor dimensão da seção) para travar as barras contra flambagem localizada.
Exemplo resolvido
- Área da seção:A_c = 20 · 40 = 800 cm²
- Esbeltez (direção do menor lado, ℓₑ = 2,8 m):i = h/√12 = 20/3,46 = 5,77 cm → λ = 280/5,77 ≈ 48,5
- Como λ > λ₁ (~35), considerar 2ª ordem (pilar-padrão).
- Armadura mínima:As,mín = 0,15 · 800/(50/1,15) = 2,76 cm² < 0,4%·800 = 3,2 cm² → 3,2 cm²
Cada uma dessas etapas — esbeltez, excentricidades, flexo-compressão e detalhamento — a Niviella executa com as fórmulas da norma e devolve o memorial pronto.
Erros comuns
- • Esquecer o momento mínimo M₁d,mín — ele costuma governar pilares centrais pouco excêntricos.
- • Usar o comprimento real em vez do comprimento equivalente ℓₑ no cálculo da esbeltez.
- • Ignorar os efeitos de 2ª ordem quando λ > λ₁.
- • Não verificar a esbeltez nas DUAS direções (a crítica é a do menor raio de giração).
Perguntas frequentes
Qual a armadura mínima de um pilar pela NBR 6118?
As,mín = 0,15·N_d/f_yd, respeitando o piso de 0,4% da área de concreto (0,004·A_c). A máxima é 8% de A_c, inclusive nas emendas.
Quando preciso considerar os efeitos de 2ª ordem?
Quando o índice de esbeltez λ = ℓₑ/i ultrapassa o limite λ₁ da norma. Abaixo de λ₁ os efeitos de 2ª ordem podem ser dispensados.
O que é o momento mínimo de 1ª ordem?
É um momento que a NBR 6118 impõe mesmo em pilares teoricamente centrados: M₁d,mín = N_d·(1,5 cm + 0,03·h). Em pilares pouco excêntricos, ele governa o dimensionamento.
Resolva esse tipo de exercício em segundos
A Niviella faz cada conta com motor determinístico validado nas NBR — e te entrega o memorial pronto.